Desafios e Riscos: AVALIANDO A SEGURANÇA NO AMBIENTE HOSPITALAR E DA SAÚDE

Riscos biológicos, químicos e ergonômicos em ambientes de saúde: como escolher calçados de segurança para reduzir quedas e contaminações.

Por que esse segmento exige atenção especial? Antes de falarmos sobre normas e calçados, precisamos entender o cenário.

No setor de saúde, profissionais atuam em contextos bastante diversos. Hospitais de alta complexidade, clínicas ambulatoriais, laboratórios de análises, unidades de atenção domiciliar e cada um desses ambientes apresenta uma combinação singular de riscos. Por exemplo: Em hospitais e clínicas, há exposição constante a agentes biológicos além de objetos perfurocortantes (agulhas, bisturis) que configuram risco de acidentes laborais e também de contaminação. No Brasil, entre 2015-2019, foram registrados 69.663 casos de acidentes de trabalho envolvendo exposição a materiais biológicos. 

Em laboratórios, além dos riscos biológicos, há manipulação de substâncias químicas, reagentes, ambientes com risco de queda ou contaminações cruzadas. 

Em atendimento domiciliar, ainda que o nível tecnológico seja menor do que em hospitais, emergem outros riscos: pisos que podem estar molhados, iluminação precária, ergonomia comprometida, e necessidade de mobilização de pacientes  aumentando o risco de quedas ou torções.

Por fim, existem riscos ergonômicos (longas jornadas, postura em pé, deslocamentos), físicos (ruído, vibração, luminosidade), químicos (desinfetantes, óleos), e os cada vez mais relevantes riscos psicossociais — por exemplo, pressão emocional, jornadas extensas, turnos de sobrecarga. Em 2025, a nova redação da NR‑1 exige que as organizações comecem a considerar esses fatores psicossociais nos programas de SST. 

Os EPI’s superiores costumam ser tratados com sua devida seriedade, óculos, luvas e máscaras estão sempre a disposição e sendo utilizados. Mas os calçados não devem ser negligenciados, ficar apenas no “calçado fechado” não basta: é necessário que o calçado esteja integrado a uma avaliação de riscos do ambiente (via PPRA ou PGR), que atenda aos requisitos normativos, e que seja apropriado para os múltiplos agentes de risco presentes.

Normas e diretrizes aplicáveis ao calçado de segurança no setor saúde


A norma NR 32

Um ponto relevante: o item 32.2.4.5 (e) determina que o empregador deve vedar “o uso de calçados abertos”.  “Esta NR tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral.” 

Ou seja: o uso de calçado aberto, que expõe o calcanhar, lateral do pé ou dorso está proibido em ambientes da saúde que entrem no âmbito da NR 32. Isso reforça que o calçado utilizado precisa ser fechado, apropriado ao risco, e faz parte de um programa de SST mais amplo. 

A norma NR 6 e o CA (Certificado de Aprovação)

Simultaneamente, a norma NR 6 trata especificamente dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Entre suas previsões: o empregador deve fornecer EPIs adequados, o vendedor/importador deve garantir o CA, entre outras responsabilidades. No contexto de calçados de segurança isso significa: calçados com CA ou certificação (no Brasil, via órgão competente) e que atendam às especificações de risco previstas no PPRA ou protocolo interno.

Confira nosso artigo sobre a lista de NR’s e suas aplicações.

APROFUNDANDO O CONHECIMENTO: Programas de prevenção e ergonomia

Além das normas citadas, orientações técnicas recomendam que os serviços de saúde incluam no seu planejamento:

  • Programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA) ou PGR, que identifique riscos específicos de cada posto de trabalho.
  • Treinamento e capacitação contínua dos profissionais para uso correto de EPIs e procedimentos de biossegurança. Em estudo sobre laboratórios clínicos, constatou-se que apesar dos treinamentos, houve negligência na notificação de exposições biológicas. 
  • Avaliação ergonômica dos postos de trabalho. Embora ainda haja pouca literatura específica sobre calçados, sabe-se que o conforto, o tempo em pé, a necessidade de mobilidade, o piso molhado ou escorregadio influenciam falhas de proteção.
  • Sistemas de gestão de SST devem contemplar os novos requisitos psicossociais, conforme citado acima.

Uma vez entendidos os riscos e normas, cabe entrar no aspecto técnico específico dos calçados de segurança, adaptados ao ambiente hospitalar/saúde. Os principais requisitos que se aplicam nesse contexto são:

Proteção contra perfurações/CORTES e agentes QUÍMICOS/biológicos

Em ambientes de saúde, os profissionais frequentemente caminham sobre pisos onde podem haver sangue, fluidos corporais ou materiais perfurocortantes descartados inadequadamente. Na limpeza, laboratórios ou unidades de atendimento existe a manipulação de desinfetantes, solventes, ácidos diluídos ou produtos de limpeza concentrados. Um calçado de segurança neste ambiente deve:

  • Ser fabricado em material compatível com agentes químicos e limpezas frequentes.
  • Possuir acabamento que permita fácil higienização (por exemplo, sem costuras expostas, sem recortes que acumulem líquidos).
  • Possuir resistência a perfurações e cortes

Aderência e controle de escorregamento

Em unidades de saúde e clínicas veterinárias, o piso raramente está seco. Limpezas constantes, uso de antissépticos, álcool em gel e produtos desinfetantes criam superfícies escorregadias, tornando a aderência do calçado um fator crítico para a prevenção de quedas, uma das principais causas de afastamento nesses ambientes. Em petshops e áreas de banho e tosa, esse risco é ainda maior: a combinação de água, sabão, pelos e produtos oleosos forma um piso de baixa fricção que exige desempenho técnico superior do solado.

O padrão antiderrapante não pode ser definido pelo critério individual do trabalhador, ele deve ser comprovado por ensaios de coeficiente de atrito, como o previsto na ABNT NBR ISO 13287, que avalia o comportamento do calçado em pisos molhados e contaminados. Solados com canaletas de drenagem eficientes e rugas transversais profundas permitem o escoamento de líquidos e resíduos, enquanto a estabilidade lateral evita torções em deslocamentos rápidos, comuns durante o transporte de animais ou em ambientes confinados.

Materiais como borracha vulcanizada ou blends de PVC de alta fricção mantêm a aderência mesmo após uso prolongado e limpeza repetitiva com agentes químicos. Em petshops, clínicas e laboratórios veterinários, o calçado deve ainda resistir a desinfetantes concentrados e evitar absorção de líquidos, preservando a integridade do material. Aderência, nesse contexto, não é conforto: é parte estrutural da biossegurança, protegendo o profissional e assegurando a continuidade das operações diárias.

Ergonomia e conforto para longas jornadas

Profissionais da saúde passam grande parte do expediente em movimento, caminhando entre alas, laboratórios, áreas de urgência e atendimento. Essa rotina contínua exige que o calçado ofereça suporte adequado ao arco plantar, amortecimento eficiente e um design ergonômico que reduza a fadiga ao longo do dia. O peso do calçado é outro fator determinante: modelos excessivamente pesados contribuem para o surgimento de dores musculoesqueléticas e aumento do esforço postural, especialmente em jornadas prolongadas. Além disso, o cabedal deve ser leve, de fácil higienização e com repelência a líquidos, garantindo conforto e biossegurança mesmo em ambientes de alta exposição a agentes biológicos e químicos.

Para que a seleção e uso do calçado de segurança sejam mais do que “fornecer um par e pronto”, algumas práticas consultivas fazem diferença:

Porque a escolha técnica importa e os erros comuns a evitar

É fundamental registrar no PGR (ou PPRA, quando vigente) os critérios técnicos mínimos do calçado: fechamento total, Certificado de Aprovação (CA), solado antiderrapante, resistência química e conforto ergonômico, conforme as NRs 6 e 32. Porém, especificar o produto não basta. O treinamento e a conscientização dos profissionais quanto à higienização, tempo de vida útil e substituição do calçado são determinantes para garantir proteção real.

Erros frequentes incluem escolher modelos industriais pesados, sem considerar mobilidade e fadiga; ignorar resistência aos produtos de limpeza hospitalar; ou negligenciar o desempenho antiderrapante. Também é comum fornecer o EPI, mas não monitorar sua adesão nem registrar indicadores de incidentes, desconforto ou desgaste.

Uma política eficaz deve integrar ergonomia, manutenção e monitoramento, estimulando o feedback dos usuários e a reposição periódica. Quando a escolha é feita com base em dados técnicos e nas normas aplicáveis e não apenas na disponibilidade de estoque, o calçado deixa de ser um item genérico e se torna parte estruturante da biossegurança e da performance operacional.

Aplicação prática: o papel do calçado de segurança Calfor Grip no setor DA saúde

Neste contexto, a linha Grip da Calfor traduz, em soluções concretas, as principais dores mapeadas nos ambientes de saúde e veterinária: pisos escorregadios, exposição constante a agentes químicos e biológicos, jornadas longas e necessidade de higienização rigorosa.
Seu solado antiderrapante vulcanizado garante estabilidade mesmo em pisos molhados ou lubrificados por desinfetantes, enquanto o cabedal em material resistente a agentes químicos e de fácil limpeza assegura durabilidade e biossegurança. O design leve e ergonômico reduz a fadiga e melhora a adesão ao uso diário, um ponto crítico para a eficácia real dos EPIs.

Mais do que cumprir normas como a NR 6 e a NR 32, a Calfor Grip exemplifica como tecnologia e engenharia aplicada podem transformar o calçado em parte ativa da estratégia de Saúde e Segurança do Trabalho (SST). Ao conectar o diagnóstico de riscos à solução técnica, ela contribui para reduzir afastamentos, aumentar o conforto operacional e fortalecer uma cultura de segurança baseada em evidências, um passo essencial para ambientes de saúde mais seguros e sustentáveis.

fontes:Scielo
Revista brasileira de Medicina do TrabalhoRiscos Psicossociais: impactos das alterações na NR-1 do Ministério do Trabalho e Empregogov.br

FICOU ALGUMA DÚVIDA?