Reclamações sobre EPIs: É SOBRE Cultura ou Qualidade?

Por que a resistência ao uso de EPI ainda é comum? Entenda como o conforto e a ergonomia dos calçados reduzem o cansaço e garantem a segurança.

Você já observou a dificuldade de convencer trabalhadores a fazer o uso correto dos EPIs em todos os ambientes que deveriam?
Já presenciou uma resistência do colaborador em calçar um EPI por que era “só vou passar pelo setor”?

Propomos nessa leitura uma análise mais aprofundada no perfil dos trabalhadores que estão à frente no chão de fábrica e como a qualidade das ferramentas de trabalho pode contribuir com mais saúde e produtividade.

No cenário da segurança do trabalho no Brasil, a resistência ao uso de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) é um desafio crônico que ganha uma nova camada de complexidade jurídica e técnica. Com a recente atualização da NR-1, o Ministério do Trabalho e Emprego oficializou a inclusão de parâmetros psicossociais como riscos ocupacionais obrigatórios no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Isso significa que fatores como estresse, fadiga extrema e o “incômodo” gerado pelo trabalho agora são métricas de segurança.

Surge o questionamento: a resistência do trabalhador é um traço cultural imutável ou um reflexo de equipamentos que agridem o bem-estar psicológico e físico?

A Resistência Cultural e o “EPI como Fardo”

Estudos brasileiros sobre percepção de risco indicam que a principal causa para a resistência ao uso de EPIs está relacionada ao incômodo e à perda de agilidade.  Em pesquisas com operários da construção civil, quase 50% dos entrevistados admitiram já ter deixado de usar algum EPI por sentir que ele “atrapalhava a produtividade” ou causava lentidão na execução das tarefas (Martins, P. H. C., 2017).

A leitura correta da situação também exige atenção do gestor de segurança, por exemplo: muitas vezes o EPI realmente exige certa adaptação. Trabalhadores que vão utilizar equipamentos de proteção pela primeira vez costumam apresentar resistência ou reclamações mais constantes. Neste momento é importante manter a atenção para entender o que é adaptação e o que é falha técnica.

Um calçado de segurança muito rígido não causa apenas dor física; ele gera um estresse psicossocial. O esforço cognitivo para ignorar o desconforto durante 12 horas de turno reduz a prontidão mental, aumentando a probabilidade de erros e acidentes. No Brasil, onde os afastamentos por transtornos mentais cresceram mais de 38% em anos recentes nos ultimos anos (Ministério da Previdência), ignorar a ergonomia do EPI é ignorar a saúde mental do colaborador.

APROFUNDANDO A NORMA: Ambientes e Riscos Diferentes

A nova redação da NR-1 (Portaria MTE nº 1.419/2024), publicada em agosto de 2024 e com aplicação plena prevista para maio de 2026, exige que olhemos para a especificidade de cada ambiente. Mesmo em segmentos idênticos, a variação do entorno transforma o perigo:

  • Pisos e Aderência: Em um frigorífico, o frio, excesso de umidade e resíduos orgânicos geram uma tensão constante no trabalhador para tentar evitar quedas. Um solado que não oferece confiança gera estresse de vigilância, um risco psicossocial silencioso.
  • Gradientes Térmicos: O frio extremo enrijece materiais de baixa qualidade. O resultado é uma caminhada “robótica” que causa fadiga muscular precoce e irritabilidade, comprometendo o clima organizacional e a execução das tarefas.

Ergonomia de Terreno: Operações logísticas em terrenos irregulares exigem estabilidade. Calçados inadequados forçam compensações posturais que, a longo prazo, tornam-se dores crônicas um dos principais gatilhos para o desengajamento e o absenteísmo.

O EPI Moderno como Agente de Transformação Cultural

Em atividades industriais, o trabalhador pode dar milhares de passos por dia. Pequenas diferenças na construção do calçado acabam sendo decisivas para aumentar a adoção das medidas de segurança e diminuir a resistência ao uso de EPI diário, como rotina implementada dentro do trabalho.

Ao utilizar calçados que respeitam a biomecânica natural e oferecem conforto, a empresa atua em duas frentes:

Mitigação de Riscos Psicossociais: Um trabalhador que não sente dor e cansaço excessivo performa com mais foco, apresenta melhor humor e adere voluntariamente às normas de segurança, pois percebe o EPI como um benefício, não uma punição.

Redução de Riscos Físicos: Proteção mecânica e química de alto nível.

Conclusão: Qualidade alinhada à Nova NR-1

Outro fator frequente nas reclamações está relacionado ao comportamento do material em condições específicas de trabalho.

Ambientes industriais podem expor o calçado a:

  • variações de temperatura
  • agentes químicos
  • abrasão constante
  • contato contínuo com água ou óleo

Quando o composto do material não é projetado para essas condições, surgem problemas como:

  • endurecimento do PVC
  • fissuras e rachaduras
  • perda de flexibilidade
  • degradação acelerada do solado

Esses fenômenos não aparecem imediatamente, mas costumam se tornar visíveis após alguns meses de uso — justamente quando começam as reclamações mais frequentes.

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