O CA DE CALÇADOS DE SEGURANÇA AGORA EXIGE Certificação por OCP: o que isso significa?
A Portaria MTE nº 122/2025 mudou o modelo de certificação de calçados de segurança. Entenda o que é OCP e como isso impacta fabricantes e empresas.
Entenda por que botas de segurança para câmaras frias precisam ir além do isolamento térmico e como o frio afeta solado, material e aderência.
Em operações com alimentos e carnes, o desafio raramente está apenas na temperatura mínima registrada em uma câmara fria. O risco se amplifica na transição contínua entre ambientes: áreas de processamento em temperatura controlada, câmaras frias que a –40 °C e zonas externas mais quentes e úmidas.
Esse vai-e-vem térmico faz parte da rotina. Existem pausas obrigatórias para quem trabalha no frio, mudanças frequentes de setor ao longo do turno e circulação constante entre áreas com condições completamente distintas. O resultado é um ambiente onde o piso e o calçado nunca estão em estado estável.
Quando falamos em EPI para câmaras frias, o erro mais comum é reduzir a análise ao isolamento térmico. Por mais que essa seja a principal reclamações dos colaboradores, esse é apenas um dos fatores, e não necessariamente o mais crítico para a segurança.
Em ambientes com alimentos e carnes, a especificação correta precisa considerar estabilidade do material em baixas temperaturas, manutenção da flexibilidade ao longo do turno, desempenho antiderrapante em superfícies com gelo e condensação, além do comportamento do solado após sucessivos ciclos de frio e calor.
Ignorar qualquer um desses pontos cria uma falsa sensação de segurança que costuma durar apenas os primeiros momentos de uso.

Quando falamos em EPI para câmaras frias, o erro mais comum é reduzir a análise ao isolamento térmico. Um efeito recorrente dessas transições é a formação de camadas de gelo no chão próximas às portas isolantes. Elas surgem a partir da condensação, do choque térmico e da umidade residual do processo. Em poucos minutos, áreas que antes tinham atrito adequado se tornam completamente lisas.
O problema é que o gelo não se comporta como água ou gordura. Ele altera radicalmente o contato entre solado e piso, anulando desenhos que funcionam bem em ambientes úmidos, mas falham quando a superfície congela.
Além do piso, o próprio calçado sofre com a variação térmica. Em temperaturas negativas, muitos materiais perdem flexibilidade, enrijecem e deixam de acompanhar o movimento natural do pé.
Esse enrijecimento progressivo aumenta a tensão sobre o material. Com o uso contínuo, especialmente em ciclos repetidos de frio intenso e retorno a áreas mais quentes, surgem microfissuras e, em casos mais críticos, rachaduras visíveis no cabedal e nas zonas de flexão.
Quando isso acontece, o impacto é duplo: o contato do solado com o piso diminui, a absorção de impacto é comprometida e a sensação de instabilidade aumenta. Além disso, a bota perde sua capacidade de isolamento térmico e passa a permitir a entrada de umidade, agravando o desconforto térmico e elevando ainda mais o risco ao longo da jornada.
Nos últimos anos, operações com ambientes refrigerados passaram por maior rigor em protocolos de higiene, controle térmico e pausas obrigatórias para exposição ao frio. Esse cenário ampliou a circulação entre áreas quentes e frias, intensificando a formação de gelo no piso e o desgaste acelerado dos calçados.
Dados de SST indicam que quedas e escorregamentos seguem entre as principais causas de afastamento em ambientes refrigerados, especialmente quando associados a pisos congelados e EPIs que perdem desempenho ao longo do turno. O risco não está apenas na temperatura, mas na combinação de fatores que se repetem diariamente na operação.
Quando a dor está relacionada ao frio extremo e às transições térmicas, a solução não pode ser genérica. Ela exige compostos formulados para manter desempenho mecânico em baixas temperaturas, solados com geometrias que favoreçam o contato mesmo em superfícies congeladas, resistência química compatível com higienização intensa e estrutura pensada para longos períodos de uso em ambientes frios.
Não se trata de prometer segurança absoluta, mas de reduzir a imprevisibilidade do ambiente, exatamente onde os acidentes costumam nascer.
Empresas que lidam com alimentos e carnes sabem que o risco não vem apenas da operação principal, mas das condições que se formam ao redor dela: gelo, umidade, choque térmico e desgaste acelerado dos materiais.
Entender esse cenário é o que diferencia um calçado que apenas atende ficha técnica de um calçado desenvolvido para sustentar a rotina real de trabalho, mesmo quando o piso congela e o frio testa os limites do material.